segunda-feira, 28 de maio de 2012

SONETO N° 1





Porque sabes que és bem vinda

Inventas de atrasar as horas

Não reconheces, ainda,

Que teus caprichos ao meu coração penhoram



E me colocas em dívidas

Em cobranças, devaneios e agora

Como faço para repatriar as feridas

Que me forneces, senhora?



Mas quando chegas, querida,

Esqueço a rolagem dos ponteiros

E todo meu peito sorri



Assim gastas o tempo de minha vida:

Meus dias passam faceiros

E com certeza vivi.



®leoniaoliveira

Vou começar tudo de novo

Não sou de palha eu sou de fogo

Vou começar tudo outra vez

Depois do dia, a semana, o mês.

Vou começar e vai ser novo

Não sou navalha eu sou o polvo

Vou começar e era uma vez

Depois da fada, o anão, o rei.

®leoniaoliveira

A terra vem com um boi malhado....

Tá suado este boi?


Ainda agorinha acabou a andança,


Bastante boiadeiro batendo boiada.


Cadê, café? Cadê, Cecé?


Depois o resto do alfabeto continuou fugindo,


Escorregadio este moçoletra!


Você sabe soletrar soletra?


Soletra, soletra, boi suado.


Esconderam o touro brabo


Que protegeu o menino....


Era touro pintado, era touro malhado,


Era touro, não era?


De que era Minas veio de lá?


A sina era que era,


Tá vendo só, boi fera!


Boi é manso,


Manso feito um boi,


Nem se assusta com nossa assombração


De mamão verde e vela.


Boi é bobo,


Sonso feito um boi,


A gente pode dar nele e ele nem thum!



â leoniaoliveira

domingo, 1 de abril de 2012

Com cinco palavras

Não me recordo de minha infância,
Dias de sol e de chuva,
Sei apenas que os vivi.
Não me recordo de minhas lembranças,
Vagamente recordo de andar sem camisa,
Da fumaça subindo do chão de terra limpa,
Das árvores frescas da dinastia alegria.
(Dinastia era um nome que dávamos à espécie)
Algumas palavras, visto, lembro.
Principalmente as que inventei.
Chocolate! isto me lembro!
Desfiles, fanfarras, relances de paz, vagas.
Sou quase desmemoriada,
Mas lembro de ti.
Lembro-me de ti antes de encontrar-te.
Lembro-me de lembrar de  ti todos os dias.
Ocupastes todo espaço reservado às minhas lembranças.
®leoniaoliveira

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Meu sorriso,nao o prenda.
Dou-me presentes,
Sou feita de rendas,
Nao sou feita de arvores.
Da Oliveira uso apenas o óleo
Para massagear suas costas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Chorar de amor?
Ridículo! Não se mata o pato
Quando se paga o mico!



leoniaoliveira®
EN PASSANT








Em você vislumbrei dois rios:




De um você tinha o contorno,




Do outro, o jeito de me chamar de vida.




Mas você




Não era nem




O um,




Nem




O outro.




Você




Era




A




Cachoeira.

leoniaoliveira® (all rights reserved in TRIGO)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Hoje visto-me de rimas.
Estarei bem vestida
Ou sôo às antigas?
leoniaoliveira ®

segunda-feira, 24 de maio de 2010

saudades na tua cor II


Se eu partir meu coração em pedaços
Por certo não encontrarei teus abraços



®leoniaoliveira

MINHA GRÉCIA


Não são teus mares que me seduzem, 
Mares há em todas as costas. 
Nem tampouco é tua mitologia que me fascina, 
Mitos há em todos os povos. 
Não é tua anatomia que me excita, 
Já percorri a anatomia feminina. 
O que em ti há que me fascina 
É o que desconheço, 
O secreto da tua trajetória, 
A possibilidade de haveres 
Sem que eu perceba.

®leoniaoliveira
ΔΕΝ ΕΊΝΑΙ ΟΙ ΔΙΚΙΈΣ ΣΟΥ ΘΆΛΑΣΣΕΣ...

Δεν είναι οι δικιές σου θάλασσες που με γοητεύουν, 
Θάλασσες έχει σε όλες τις παραλίες. 
Ούτε η μυθολογία σου που με θαυμάζει, 
Μύθους έχει σε όλα τα έθνη. 
Δεν είναι η ανατομία σου που με συγκινεί, 
έχω ήδη ανατρέξει την θηλυκή ανατομία. 
Αύτό που έχει που με θαυμάζει 
είναι όσα αγνοώ, 
το μυστικό της τροχιάς σου, 
η δυνατότητα των περιχομένων 
χωρίς να το καταλαβαίνω εγώ.

traduzido para o grego por evulitsa

МОЯТА ГЪРЦИЯ

Не са твоите морета, които ме омагьосват 
Морета имат всички плажове 
Нито митологията ти, която ме удивлява 
Митове имат всички народи 
Не е анатомията ти, която ме трогва 
Вече съм прибягвал до женската анатомия 
Това, което ме удивлява 
Е това, което пренебрегвам 
Тайната на твоята орбита 
Способността на съдържанието 
Без аз да го разбирам.

traduzido para o búlgaro por galka


Notas sobre a tradução para o búlgaro
коментар на автора: Гърция, в моите стихове, на неопределеност трябва да бъде едновременно жена и страната

(all right reserved in TRIGO by Leonia Oliveira)
Sou um vendedor de sonhos
Em algum país distante
Abro a caixa de sonhos e sonho
Ofereço diamantes
Ao meu primeiro cliente
Ou uma flor ou um abridor
De lata de sonhos
Para algum vendedor novato
Para um outro fugidio vendedor ambulante


®leoniaoliveira (all rights reserved in TRIGO)

domingo, 23 de maio de 2010

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Eu tenho uma tenda
É bem isso que tenho
Eu sou a própria bagagem de mim.
Músicas, poemas, romances,
Muitas se perderam pelos lugares por onde andei,
Mas eu tenho a mim.

Eu tenho sangue cigano
Segundo me conta a lenda
E também tenho sangue
Judeu, africano, ibérico, indígena.
Eu não me pareço com meu sangue
Minha geografia é confusa,
Mas eu conheço os caminhos.

Eu tenho uma tenda
E tenho sangue cigano
Eu não preciso de cartas
Para ler o futuro
Eu não preciso de mapas
Para acertar o rumo.
Eu não preciso de cartas náuticas para navegar
Eu enxergo as estrelas mesmo quando o céu está nublado.

Eu tenho uma tenda
Por isso sou livre
Eu não me apego às coisas que tenho,
Às coisas que tive,
Eu me apego a mim.
Nem mesmo me apego a esta tenda
Posso muito bem viajar sem ela,
Eu sou minha própria bagagem.

®leoniaoliveira
Dentro de mim existe um mar,
O mar que existe dentro de mim.
Hoje é prateado como o é o mar
Quando as ondas quebram.
Algumas vezes ele é calma
Outras vezes é rebeldia.
Ele explode contra os penhascos
Do meu coração
Ele arrebenta contra as geleiras
Da minha mente
Ele invade todo meu ser,
Minhas víceras,
Meus músculos.
Represa-lo, não posso.
Seca-lo? Eu a mim secaria.
Dentro de mim existe um mar
Que sou eu mesma diluída.


®leoniaoliveira

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

sem você
eu sou um cais dependurado numa terra
onde nem sabem
que o mar existe.

®leoniaoliveira

sábado, 15 de dezembro de 2007

Negros chapelões e sois de brincadeira
Brincam nos seios incandescentes.
Eu me deitara sobre as vestes sujas
De algum iconoclasta.
Trementes minhas costas sobrepunham-se
Às planícies em disparada.
E eu, posta em brasa,
Voltara acessa do rompimento dos meus seios,
A despeito de minha estadia.


®leoniaoliveira
e eu nem sei

sobre a sede,

sobre a faca

sobre a mesa

esperando o pão,

que espera a

mesa para

quem tem

sede e entra

em casa

esperando

achar uma faca,

sobre a mesa

e um pão com

sede de espera,

de casa e

casar o pão

com a mesa,

enquanto lá fora

rinocerontes esperam

suas asas e o

desafio fia o

pão que entrará

na casa depois,

para se depositar

sobre a mesa e

esperar que entrem

aqueles que sentem

à mesa

com sede,

enquanto lá

fora rinocerontes

cantam com

suas asas

e o

desafio fia

o novo pão

para a mesma

mesa que

espera o

pão e a

sede dos

que entrarão

na casa.

e o meu amor

é mais que

um rinoceronte

com asas cantando

no jardim.

é o jardim

e a casa e

a mesa e o

pão que espera

nossa entrada,

na casa

que espera

com sede nossa entrada.


®leoniaoliveira (in Trigo all rights reserved)


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

CEREJA

Vou compor uma cereja,
Fruto de igual teor,
Beleza.
Meu anexim
Tem um dito programado
E é bendito
Todo amor em que acredito.

Às vezes penso que você
Todo dia pensa em mim

Às vezes penso que você
Todo dia pensa em mim



®leoniaoliveira

VENDAVAL

Cavalgado Cabelun
Subia a serra,
Trazia no lombo um
Passo de guerra.
E a cidade ficava lá,
Dois metros depois do Deus dará.
Protegida das torres da igreja
Que zombavam de Cabelun
Por seu despudor,
Invadir a cidade de cereja
Um herege, um algum
Servo do tentador.
E veio o vento que veio,
Calar a boca do sino,
Meteu o pé no esteio
Desconjurou menina e menino.
Deixou a cidade de perna pra cima,
Campeando a saia a lhe sair do ventre.
Cabelun roçou a vida,
Fez chacina comeu os olhos
De azul descrente.
E foram homens rodando,
Azulejos, supositórios, despostórios,
Leis, legisladores e maravilhas
Eletrônicas roubadas.
Só ficou a torre de cimento
A proteger os desditos,
Cumprindo o juramento que fez c’o Santo Bendito
Umas rimas e poemas loucos,
Espalharam-se ao vento,
Gritando que era pouco
Deixassem o mundo ao relento.
Estrebuchando Cabelun
Fugiu de vista,
Deixando cheiro de algum
Sonho egoísta,
Arrotou bravatas nas gravatas,
Nos escritórios modernos,
Arrastou dinheiro dos bueiros
Em casas de ternos.
Somente a torre esquecida,
Na cidade qualquer do mundo,
Lambia o sangue das feridas
Com seu suspiro profundo!


®leoniaoliveira

sábado, 8 de dezembro de 2007

tenho um barco no bolso & 1 poema no jardim. além do que tenho um barco no bolso e em mim um mar que além de mim ainda é mar e depois tenho um barco no bolso e em mim.

®leoniaoliveira